Mais uma preciosidade com o toque de Jack White
Thiago Corrêa
Jack White é uma espécie de rei Midas do rock and roll. Assim como o personagem da mitologia grega, tudo vira ouro onde o músico põe o dedo. Não bastassem os seis preciosos álbuns do The White Stripes, Jack White vem construindo uma sólida trajetória com o The Raconteurs, seu projeto paralelo ao lado de Brendan Benson, Jack Lawrence e Patrick Keeler. “Consoler of the Lonely”, trabalho mais recente da banda, dá conta do recado e segura a expectativa criada pelo ótimo disco de estréia “Broken Boy Soldier”, lançado em 2006.
O grupo mostra maturidade com as músicas “The Switch and the Spur” e “Rich Kid Blues”. Nelas, o The Raconteurs experimenta uma variação de sonoridades, lembrando o The Who ao combinar climas diferentes dentro das mesmas faixas. “The Switch and the Spur” começa com uma introdução pomposa, puxada por um piano e seguida pelo sopro dos metais, que dão um tom de drama mexicano. A música mescla um ambiente intrigante criado pelo baixo de Lawrence, com passagens instrumentais e um vocal narrativo.
Em “Rich Kid Blues”, a semelhança com o The Who é ainda maior. Seu início a base de voz e violão é interrompido por guitarras e batidas, que surgem em degraus, e logo se desfazem, retornando à levada inicial. Apesar da diversidade rítmica existir apenas em “The Switch and the Spur” e “Rich Kid Blues”, elas resumem o espírito de todo o disco.
O álbum é organizado num jogo de clímax e anti-clímax, alternando baladas com faixas mais pesadas, que remetem ao The White Stripes. Muito dessa semelhança deve-se à voz estridente de Jack White, como nos casos de “Salute Your Solution”, “Top Yourself”, “Five on the Five” e da faixa-título “Consoler of the Lonely”.
A sombra do The White Stripes, porém, não compromete o resultado. O The Raconteurs impõe seu estilo próprio apresentado no primeiro disco. Seja fazendo um rock competente nas faixas “Hold Up” e “Attention”, ou mesmo nas mais lentas “Old Enough”, “Many Shades of Black” e “These Stones Will Shout”.