Tiro certeiro no óbvio
Thiago Corrêa
Em tempos de MP3, a indústria fonográfica prefere apostar no que é certo, deixando o papel da renovação para internet. Suga o sucesso já obtido até a raspa do tacho. Um exemplo é o disco “O Melhor de Teresa Cristina e Grupo Semente”, lançado pela Deckdisc. Com apenas oito anos desde o lançamento do primeiro dos quatro álbuns da cantora carioca (sendo um deles a gravação de um show e outro de releituras de Paulinho da Viola), Teresa Cristina ganha a sua primeira coletânea.
Das 15 músicas, de novo mesmo, apenas uma única faixa, que mesmo assim não é nem tão nova assim. Trata-se de uma releitura de “Novo Amor”, composta por Chico Buarque. Mas deixando essa artimanha empresarial de lado, o disco, como toda coletânea, é um bom começo para quem não conhece o trabalho da cantora.
Estão presentes a delicadeza vocal de Teresa Cristina e o cuidadoso trabalho do Grupo Semente, que criaram fama e ajudaram a reerguer o boêmio bairro da Lapa, no Rio de Janeiro. O samba cantado por eles é fino, tradicional.
As músicas servem como trilha sonora para passar uma tarde de sábado ensolarada bebendo cerveja. Além do lado festivo, o disco ainda inclui os momentos de dor de cotovelo, como a faixa “A Borboleta e o Passarinho”, da própria cantora, e “O Meu Guri”, outra de Chico Buarque.