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26
mai
08

Nação Zumbi + Monobloco + MCs Júnior e Leonardo

Noite de tiro certeiro
Thiago Corrêa

O preço salgado do ingresso e a ameaça de chuva não impediram que o público fosse ao Cais do Porto conferir os shows da Nação Zumbi e do Monobloco, ainda com a participação dos MCs Júnior e Leonardo. A primeira edição do projeto Conexão Rio-Recife foi aberta pelo grupo pernambucano, já perto de meia-noite.

Com quase duas horas no palco, a Nação Zumbi fez um show coeso e eficiente. Como boa parte da platéia estava mais interessada no samba da Monobloco, os malungos souberam administrar a situação com seu repertório. O grupo alternou músicas do seu último disco, “Fome de Tudo”, com canções já conhecidas do público, como “Meu Maracatu Pesa uma Tonelada”, “Macô”, “Manguetown” e terminando com “Quando a Maré Encher”.

Depois de 45 minutos de espera, os cariocas do Monobloco subiram ao palco imprimindo um ritmo alucinante. Pegando a proposta do evento em fazer um intercâmbio cultural, a banda alternou seus sambas e versões de Jorge Ben Jor com músicas bem regionais. Logo no início, eles foram de forró, com “Isso Aqui Tá Bom Demais” e “Pagode Russo”, passando por Alceu Valença com “Morena Tropicana” e pelo frevo “Vassourinhas”.
 
Os MCs Júnior e Leornardo só vieram a público na volta da Monobloco, beirando às 4h da manhã. Junto com a banda de Pedro Luís, a dupla mandou ver “Endereço dos Bailes” e depois o seu “Rap das Armas”, que entrou na trilha do filme “Tropa de Elite” e mereceu bis.

O ponto negativo da noite ficou com a desorganização do estacionamento do Paço Alfândega, que deu dor de cabeça na saída. Além de permitir que os motoristas deixassem seus carros em local proibido, trancando outros veículos, havia apenas um atendente no caixa, formando uma longa fila.

07
mai
08

Chega de Saudade – Elza Soares, Marku Ribas e banda Luar de Prata

Um baile de lembranças
Thiago Corrêa

A trilha sonora do filme “Chega da Saudade”, de Laís Bodanzky, começa com o vozeirão de Elza Soares suplicando “Não deixe o samba morrer / Não deixe o samba acabar”. Pedido feito, desejo atendido. A cantora recebe a ajuda da banda Luar de Prata e da voz de Marku Ribas, que na década de 70 abriu o show de James Brown e já tocou com Mick Jagger e os Rolling Stones nos anos 80.

Com os dois veteranos no vocal e os metais da Luar de Prata, o samba mostra que tem vida longa. No disco, o ritmo ainda marca presença com músicas como “Um Calo de Estimação” e “De Noite na Cama”, de Caetano Veloso, que ficou famosa na interpretação de Marisa Monte. Aqui, a canção ganhou uma nova roupagem, com uma levada funk pontuada pelo baixo de Fernando Nunes e a voz insinuante de Elza.

Mas nem só de samba é feita a trilha. O repertório é composto por músicas que circulam pelos bailes de terceira idade e festas de formatura. Assim, não poderia faltar forró, mambo e das orquestras de salão. O forró está representado por “Você Não Vale Nada”, que ganhou destaque por aqui devido a uma paródia política nas eleições para governador em 2006.

O disco bem que poderia ser confundido com o trabalho da Super Oara, não fossem os vocais de Elza, Ribas e os competentes metais da Luar de Prata. A eficiência do grupo fica evidente nas versões instrumentais de “Bebete Vãobora” e “Como uma Onda”. Nelas, o arranjo é tão bem executado que os metais parecem cantar, evocando as letras de Jorge Ben e Lulu Santos.

A única música que não conta com a participação da Luar de Prata é a que dá nome ao filme. “Chega de Saudade”, fruto da parceria entre dois pilares da Bossa Nova, Tom Jobim e Vinícius de Moraes, é executada pelo mestre tropicalista Rogério Duprat. A versão instrumental ressalta as variações de tons nostálgicos e cômicos.

O ponto negativo são as ausências de “Your Song”, de Billy Paul e “Smoke Gets in Your Eyes”, da The Platters, além das as músicas de autoria de Martinho da Vila, que aparecem no longa. O sambista, porém, é lembrado com a versão de “Mulheres”, de Toninho Geraes, imortalizada por Martinho da Vila. Na trilha, a canção é interpretada por Ribas.

23
abr
08

Curtindo a gafieira – Cristovão Bastos

A renovação de um ritmo
Thiago Corrêa

A palavra gafieira, que cheirava a mofo, evocando imagens de um casal de idosos dançando num salão de taco em algum clube da cidade, ganhou um novo sopro de vida. O responsável por isso é o músico Cristovão Bastos. Ele retomou o gênero musical em grande estilo, com o disco “Curtindo a Gafieira”, lançado por intermédio da Lei de Incentivo do Ministério da Cultura.

As dez músicas, todas compostas e arranjadas por Bastos, lembram a imprevisibilidade do jazz. Sugerem caminhos, mas seguem compassos próprios, como se estivessem desbravando os horizontes do improviso. O piano de Bastos, aliado a instrumentos de sopro, percussão e corda, disferem dribles de Mané Garrincha nos nossos ouvidos.

A ginga cadenciada remete aos bons funks da super-banda Black Rio, da década de 70. Destaque para a faixa “Vai e Volta”, trilha perfeita para uma cena de malandro preparando um roubo a banco. Música boa para se dançar e aplaudir.

23
abr
08

O melhor de Teresa Cristina e Grupo Semente – Teresa Cristina e Grupo Semente

Tiro certeiro no óbvio
Thiago Corrêa

Em tempos de MP3, a indústria fonográfica prefere apostar no que é certo, deixando o papel da renovação para internet. Suga o sucesso já obtido até a raspa do tacho. Um exemplo é o disco “O Melhor de Teresa Cristina e Grupo Semente”, lançado pela Deckdisc. Com apenas oito anos desde o lançamento do primeiro dos quatro álbuns da cantora carioca (sendo um deles a gravação de um show e outro de releituras de Paulinho da Viola), Teresa Cristina ganha a sua primeira coletânea.

Das 15 músicas, de novo mesmo, apenas uma única faixa, que mesmo assim não é nem tão nova assim. Trata-se de uma releitura de “Novo Amor”, composta por Chico Buarque. Mas deixando essa artimanha empresarial de lado, o disco, como toda coletânea, é um bom começo para quem não conhece o trabalho da cantora.

Estão presentes a delicadeza vocal de Teresa Cristina e o cuidadoso trabalho do Grupo Semente, que criaram fama e ajudaram a reerguer o boêmio bairro da Lapa, no Rio de Janeiro. O samba cantado por eles é fino, tradicional.

As músicas servem como trilha sonora para passar uma tarde de sábado ensolarada bebendo cerveja. Além do lado festivo, o disco ainda inclui os momentos de dor de cotovelo, como a faixa “A Borboleta e o Passarinho”, da própria cantora, e “O Meu Guri”, outra de Chico Buarque.




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