Luz, câmera e rock ‘n’roll
Thiago Corrêa
Quem perdeu a chance de assistir no cinema ao show do Rolling Stones, registrado pelo diretor Martin Scorcese no filme “Shine a Light”, e não quer esperar o lançamento do DVD, pode conferir o resultado da apresentação no CD. Apesar de não contar com as danças de Mick Jagger, a tranqüilidade eficiente de Charlie Watts na bateria e as dobradinhas de Keith Richards e Ron Wood nas guitarras, o disco duplo preserva o ânimo que a banda imprimiu no palco do Beacon Theatre, em Nova Iorque.
Com quase 46 anos de carreira e uma infinidade de coletâneas na bagagem, o Rolling Stones soube selecionar um repertório que saísse do óbvio. A banda optou em mesclar músicas menos conhecidas, que deram um sopro de renovação aos dinossauros do rock, com as obrigatórias “Sympathy for the Devil”, “Star Me Up”, “Brown Sugar” e “(I Can’t Get No) Satisfaction”, usadas já na segunda metade do show.
Por se tratar de uma apresentação num local de pequenas proporções, os Stones não precisaram se preocupar em não incendiar uma multidão e escolheram uma seqüência de músicas instigadas, que começa logo com o sucesso “Jumping Jack Flash”. Na seqüência, as guitarras de Ron Wood e Keith Richards assumem o comando em “Shattered” e seguem em ritmo frenético.
As únicas pausas que o grupo dá para a platéia recuperar o fôlego é com a belíssima “As Tears Go By”, executada no melhor estilo banquinho e violão, e “Faraway Eyes”, com o dueto vocal de Jagger e Richards. O guitarrista ainda assume os vocais na sombria “You Got the Silver” e em “Connection”, que não aparecem na íntegra no filme.
O disco ainda registra as ótimas participações especiais do líder do The White Stripes, Jack White, do blueseiro Buddy Guy e de Christina Aguilera, com seu poderia vocal. A presença da cantora, no entanto, é o único caso onde a imagem realmente faz falta. Não ver Christina Aguilera se esfregando em Mick Jagger é frustrante.