Pernambuco coloca o bloco na rua em plena Santiago
Thiago Corrêa*
SANTIAGO DE CUBA – No dia em que Santiago de Cuba sofreu um abalo sísmico de 4.7 graus na escala Richter, a segunda cidade mais importante da ilha de Fidel Castro conheceu mais de perto a cultura pernambucana. Sem a restrição ao acesso à Casa de Pernambuco, aberta somente para convidados da organização do Festival do Caribe, os cubanos tiveram a oportunidade de conferir uma amostra da diversidade cultural do estado nordestino durante o Desfile de la Serpiente.
Em plena segunda-feira, o centro de Santiago de Cuba parou para assistir ao desfile das delegações que participam do Festival do Caribe. Fechando o cortejo (após a participação de Cuba, Argentina, México, Jamaica e Curaçao), sete agremiações pernambucanas aproveitaram o trajeto entre a Plaza de Marte e o Parque Céspedes se apresentaram no corpo-a-corpo à população cubana, num fim de tarde que lembrou e muito o período de carnaval.
A lembrança veio por conta das semelhanças entre as ruas estreitas de Santiago com as de Olinda, como também pela presença de ícones da festa popular pernambucana e pela proximidade com a celebração do carnaval cubano, comemorado a partir do dia 21 de julho. Mas como um país disciplinado pelo regime socialista que ainda traz mensagens pregando a união para superar as dificuldades pintadas em seus muros, a interação não ultrapassou a contemplação.
A população cubana assistiu – ordenadamente concentrada na beira das calçadas, nas janelas e sacadas das casas – o poder dos tambores do Maracatu Leão Coroado, viu com curiosidade os caboclos-de-lança do Maracatu Piaba de Ouro, os passos dos caboclinhos do 7 Flexas, admirou o frevo e as fantasias do bloco O Bonde e reconheceu semelhanças da religiosidade da ilha com os símbolos e o ritmo apresentado pelos afoxés Alafin Oyo e Oya Alaxe.
Até como uma forma de chamar a atenção das várias crianças que se amontoaram pelas calçadas da rua Aguilera, o desfile se encerrou com duas das bandas mais representativas da música contemporânea pernambucana: a Orquestra Popular da Bomba do Hemetério com as mungangas do Maestro Forró e o grupo Bongar, que mostrou ser tão enérgico no chão quanto no palco.
* O jornalista viajou a convite da Fundarpe.