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Entrevista | Ney Matogrosso

Entrevista | Ney Matogrosso
Thiago Corrêa

A faixa título é uma música de Arnaldo Antunes gravada em parceria com Chico Science. Você acompanhou a trajetória dele? O que acha do trabalho dele?
- Essa era a única gravação. Achei ótimo, ele fazia um som revolucionário dentro do panorama musical da época. Era poderoso.

Você continua acompanhando a carreira da Nação Zumbi?
- Sei que eles continuam na ativa, lançando discos. Mas agora isso chega menos por aqui.

Na música “Lema”, a letra fala sobre envelhecer se renovando a cada dia. Nesse disco você optou por trabalhar com músicas de autores novos. Por que isso e como foi o processo de escolha?
- Faço isso de vez em quando. Gosto de lançar novos compositores, mas sem fazer uma revisão do trabalho deles.

O que você acha dessa geração?
- Essa safra é muito boa. O que há é um obstáculo. Eles têm uma barreira para ultrapassar, é muito mais difícil de se entrar no meio, encontrar espaço na mídia.

Mesmo com a internet?
- A internet é um escouadoro, sem dúvida. Mas se fecha nela. Agora esse é o ponto vista de alguém que não freqüenta muito esse universo.

Por que você optou em mesclar com músicas de artistas já consagrados, como Chico Buarque e Caetano Veloso?
- É preciso ver isso dentro de um contexto do show. Gravei “Divino Maravilhoso”, de Caetano, porque acho ela bem atual, da mesma forma como também é “Ode aos Ratos”, de Chico Buarque, ou “O Tempo Não Pára”.

Como é interpretar Cazuza para você, que teve uma relação com ele?
- É sempre prazeroso. O talento dele é indiscutível, não faço nenhum favor em cantar a música dele.

Já faz um tempo que as fronteiras entre as artes vem se diluindo. Até que ponto seu show deixa de ser uma apresentação musical e vira teatro?
- Isso sempre existiu. Sempre usei todos os recursos disponíveis nos meus shows. Luz, cenário, figurino. Antes de tudo, antes da música, é palco.

O que muda quando a música é apresentada no palco?
- É diferente. No estúdio se solicita menos, é algo mais técnico. No palco não tem técnica, é tudo na raça.

O que a gente pode esperar desse show?
- O show está sendo um enorme sucesso. Recife é um lugar em que eu gosto de me apresentar, sempre vou aí para mostrar o novo disco.

Quando está em turnê, você procura saber o que?
- Não dá tempo. Geralmente chego num dia, me apresento e depois volto. Mas recebo muita coisa, que sempre guardo e ouço.




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