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Combat Samba – Mundo Livre s/a

Mundo Livre s/a reúne seus sambas de trincheira
Thiago Corrêa

Com quase um quarto de século nas costas, a Mundo Livre s/a resultou fazer uma revisão da sua obra. A banda, uma das precursoras do Manguebeat, lança a primeira coletânea da carreira pelo selo Deckdisc. O álbum “Combat Samba: E se a Gente Seqüestrasse o trem das 11?” (com título inspirado em “Combat Rock” da The Clash), reúne músicas de todos os cinco discos do grupo, mais uma faixa do EP “Bebadogroove” e outra inédita.

A idéia de fazer uma compilação era desejo antigo da banda. Há três anos, a Mundo Livre s/a vinha planejando reunir alguns dos seus sucessos num único álbum, permitindo que os fãs mais jovens conhecessem suas primeiras músicas. A seleção das faixas ficou a cargo do produtor musical Carlos Eduardo Miranda, que já havia trabalhado com o grupo nos seus três discos iniciais.

O véinho, como é conhecido Miranda, escolheu um repertório que refletisse às várias fases da banda. Assim, foram selecionadas uma música do “Guentando a Ôia” (1996), duas de “Carnaval na Obra” ( 1998 ) e “O Outro Mundo de Manuela Rosário” (2004), três de “Por Pouco” (2000) e quatro do “Samba Esquema Noise” (1994), além das faixas “Carnaval Inesquecível na Cidade Alta”, de Bebadogroove, e da nova “Estela (A Fumaça do Pajé Miti Subitxxy)”, gravada no estúdio Muzak, em março.

Para compô-la, Fred Zero Quatro se inspirou no realismo fantástico, retomando a linha que marcou “O Outro Mundo de Manuela Rosário”. Na música, Zero Quatro cria histórias e personagens baseados no poder das grandes corporações internacionais.

Em tempos da disseminação dos frios downloads pela internet, “Combat Samba” chega às lojas com requintes de luxo. O belo projeto visual do álbum é assinado pela dupla Valentina Trajano e Jorge Du Peixe, que concorrem ao Prêmio Tim de Música 2008, pelo trabalho desenvolvido em “Fome de Tudo”, da Nação Zumbi. O encarte ainda traz, como atrativo, comentários de Zero Quatro em cada música. Neles, o líder da banda revela alguns segredos sobre o processo criativo que deu origem às canções.

15
mai
08

Entrevista | Fred 04

Entrevista | Fred Zero Quatro
Thiago Corrêa

Por que vocês resolveram lançar uma coletânea, depois de quatro anos sem disco novo?
- Esse projeto já existia há um tempo, mas não conseguimos viabilizar antes. Então quando entramos para a Astronave e Paulo André tinha uma boa relação com a Deckdisc, surgiu essa oportunidade. Esse é um projeto que envolve fitas masters antigas e precisava de um selo mais estruturado para fazer esse trabalho. Nos shows a gente percebe que é o pessoal mais jovem quem ocupa as filas do gargarejo e muitos deles só conhecem de “Meu Esquema” para cá. Aí juntou também o fato de ser difícil encontrar nossos discos mais antigos, que estão fora de catálogo.

Como foi o processo de escolha das músicas pra coletânea?
- Quando surgiu a idéia da coletânea, a Deckdisc perguntou se a gente tinha material inédito. Já estávamos trabalhando com “Estela”, mas não gravamos porque a gente queria fazer uma coisa mais trabalhada, mais profissional do que a urgência de “Bebadogroove”. Então chamamos Miranda para produzir essa música, que foi gravada no estúdio Muzak e mixada no Rio. E aí começaram as discussões sobre a seleção das músicas, a gente queria uma coisa, Paulo André outra. Acabamos resolvendo entregar isso a Miranda, que já estava envolvido no processo, para evitar polêmica dentro da banda.

O que você achou do trabalho de Carlos Eduardo Miranda?
- Ele era o cara mais preparado para fazer essa seleção, já conhecia o som da banda. No começo até ficamos receosos achando que ele só ia colocar música dos primeiros discos, que foram produzidos por ele. Achei bacana que ele fez questão de incluir músicas de todos os discos, fazendo um balanço da nossa trajetória. Vibrei quando soube que ele escolheu duas músicas de “O Outro Mundo de Manuela Rosário”, que foi visto pela crítica como um álbum mais indigesto, por misturar literatura com jornalismo.

Como surgiu a idéia de trazer comentários das músicas no encarte?
- Isso foi sugestão da Deck. Hoje em dia o mercado tem feito das tripas coração para as novidades da internet. O mercado está se encolhendo muito. Só o encarte é cada vez menos suficiente, tem que se usar mais acessórios para fazer vender. E para essa galera nova era interessante saber um pouco da nossa história.

A música nova é uma pista do próximo disco de vocês?
- Com certeza. Temos essa idéia desse personagem que com potencial para crescer e desenvolver esse enredo, misturando com o realismo fantástico.

Já tem data para o novo disco?
- Ainda não sabemos como será a recepção da coletânea. Já temos alguns shows agendados e, dependendo como fique nossa agenda, pode atrapalhar um pouco. Estávamos querendo entrar em estúdio no último trimestre deste ano, mas acho que vai ficar inviável. O interessante é que está todo mundo cobrando material novo, talvez um dos efeitos da coletânea seja aumentar isso. Mas não temos pressa, já possuímos um material bem avançado. Não vai ser por falta disso que vamos deixar de lançar um disco.

Uma das principais características da Mundo Livre s/a é o conteúdo políticos das letras. Lembro que, quando Lula se elegeu pela primeira vez, a banda deu uma palhinha no Marco Zero. Como vocês analisam o momento vivido pelo Brasil?
- É difícil você encontrar alguém que não admita que Pernambuco está vivendo uma das expectativas mais positivas da nossa História. Pelo menos na minha geração isso não existia. O desenvolvimento do país é uma coisa real, concreta. Por mais que uma parte da mídia queira desestabilizar essa situação, a percepção do povo está cada vez mais clara. Estamos tendo um desenvolvimento preocupado com o social e com nossos vizinhos da América do Sul, porque não adianta a gente se desenvolver e criar um muro como o dos Estados Unidos e o México. O crescimento do Brasil é com distribuição de renda.

Vocês já travaram várias lutas (Ordem dos Músicos, jabás das rádios) e conseguiram difundir as idéias do Manguebeat pela cidade. Nesse contexto, como você vê a presença de Ariano Suassuna como secretário de cultura?
- Você pega os investimentos públicos do Estado e vê que a presença dele não interfere no perfil. Na verdade, a gente ouve pouca notícia sobre o quê de concreto a Secretaria está fazendo. Acho que o cargo dele é mais simbólico.




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