Noite de tiro certeiro
Thiago Corrêa
O preço salgado do ingresso e a ameaça de chuva não impediram que o público fosse ao Cais do Porto conferir os shows da Nação Zumbi e do Monobloco, ainda com a participação dos MCs Júnior e Leonardo. A primeira edição do projeto Conexão Rio-Recife foi aberta pelo grupo pernambucano, já perto de meia-noite.
Com quase duas horas no palco, a Nação Zumbi fez um show coeso e eficiente. Como boa parte da platéia estava mais interessada no samba da Monobloco, os malungos souberam administrar a situação com seu repertório. O grupo alternou músicas do seu último disco, “Fome de Tudo”, com canções já conhecidas do público, como “Meu Maracatu Pesa uma Tonelada”, “Macô”, “Manguetown” e terminando com “Quando a Maré Encher”.
Depois de 45 minutos de espera, os cariocas do Monobloco subiram ao palco imprimindo um ritmo alucinante. Pegando a proposta do evento em fazer um intercâmbio cultural, a banda alternou seus sambas e versões de Jorge Ben Jor com músicas bem regionais. Logo no início, eles foram de forró, com “Isso Aqui Tá Bom Demais” e “Pagode Russo”, passando por Alceu Valença com “Morena Tropicana” e pelo frevo “Vassourinhas”.
Os MCs Júnior e Leornardo só vieram a público na volta da Monobloco, beirando às 4h da manhã. Junto com a banda de Pedro Luís, a dupla mandou ver “Endereço dos Bailes” e depois o seu “Rap das Armas”, que entrou na trilha do filme “Tropa de Elite” e mereceu bis.
O ponto negativo da noite ficou com a desorganização do estacionamento do Paço Alfândega, que deu dor de cabeça na saída. Além de permitir que os motoristas deixassem seus carros em local proibido, trancando outros veículos, havia apenas um atendente no caixa, formando uma longa fila.