Literatura pernambucana ganha ponte para o mundo dos e-books
Thiago Corrêa
A literatura produzida em Pernambuco está mais próxima do mercado editorial do futuro. Atuando desde o início do ano, a Novo Livro – Editora Digital (novolivro.com) tem entrado em contato com alguns autores locais para lançar versões virtuais de obras já publicadas. Criada pelo administrador de empresas Fernando Moraes e pelo arquiteto/webdesigner Érico Oliveira, a Novo Livro já fechou parcerias com os escritores Ivan Moraes Filho, Joselito Nunes, Inácio França e Samarone Lima para publicá-los como e-books.
“O intuito da gente é ser a ligação entre os escritores da região com o mercado digital. Vimos que não seria tão simples para o pessoal converter seus livros e resolvemos oferecer a disponibilidade tecnológica”, explica Fernando Moraes. Os primeiros títulos já saíram, estão disponíveis para venda no site da editora o livro Kanimambo – um ano em Moçambique e, via Amazon (amazon.com), as obras Quasamar e Problema de Coluna; todos de Ivan Moraes Filho. A expectativa é que, até o fim de julho, a editora tenha 15 livros publicados. E, no fim do ano, esse número deve ficar entre 40 e 50 títulos.
Para definir quais os livros a serem publicados em e-book, a editora está criando uma comissão que ficará responsável pela seleção. “Estamos trabalhando com qualidade e não com volume. Queremos uma seleção de autores locais ou de obras que tenham a ver com a região que sejam culturalmente relevantes”, define Moraes. Segundo ele, a conversão de um título leva cerca de 15 dias. “Tudo o que o editor fez para deixar o livro impresso bonitinho, a gente precisa apagar. E aí é um trabalho para fazer na mão mesmo, não é uma coisa que você coloque num programa e ele faz sozinho”, relata Moraes. Os livros são registrados pelo sistema de catalogação ISBN, pela Fundação Biblioteca Nacional.
Como as incertezas que cercam o futuro do livro ainda são grandes, a Novo Livro aposta na diversidade, oferecendo os títulos em todos os formatos digitais disponíveis no mercado. Por enquanto, a editora trabalha com dez tipos de arquivo para contemplar os diversos leitores digitais Kindle, Nook, iPhone, iPad e outros. “Se disserem que apareceu outro formato, a gente converte também”, garante Moraes. “Todo escritor quer que seu livro corra o mundo, então queremos fazer esse conteúdo chegar em qualquer lugar”, completa o empreendedor.
Para facilitar as coisas, a editora optou por trabalhar com um controle de acesso mais flexível do que o usado por outras empresas do meio. “O normal é que não tenha como passar o arquivo para outras pessoas. A gente usa o DRM (Digital Rights Management) Social, onde o nome da pessoa que comprou vai impresso na obra e ela pode emprestar esse livro para vários amigos”, compara Moraes. De acordo com ele, os e-books vão custar em torno de 1/3 do preço das livrarias. “Mais de 40% do preço de um livro é de distribuição”, aponta o empreendedor.
As obras já publicadas pela Novo Livro custam R$ 5,90 (Kanimambo), US$ 3 (Quasamar) e US$ 6,99 (Problema de coluna). Os preços são estabelecidos pela própria editora, que em geral fica com 10% do retorno e o resto vai para o autor. Mas há casos onde essas fatias mudam, como é o caso da Amazon que fica com 70% do valor sobre a venda. “Não se ganha praticamente nada, a sorte é que o custo de produção é baixo. O que a gente vai tentar fazer é se financiar através das leis de fomento, com a aprovação de projetos de livros para colocá-los de graça”, observa Moraes.
* Publicado no Diario de Pernambuco