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25
abr
08

A Música na Corte de D. João VI

Embalos de uma nobreza nos trópicos
Thiago Corrêa

Como uma forma de marcar os 200 anos da chegada da corte portuguesa de Dom João VI ao Brasil, em 1808, a Prefeitura do Rio de Janeiro deu início a um projeto que pretende resgatar a cultura musical da época. Para isso, está lançando a série “A Música na Corte de D. João VI”, reunindo, em quatro CDs, as composições que marcaram os 13 anos da nobreza de Portugal nos trópicos.
 
Dois deles já saíram – “Te Deum & Requiem” e “Modinhas Cariocas”. O primeiro álbum foi gravado pela Orquestra Sinfônica da UFRJ sob a batuta do regente Ernani Aguiar. O disco reúne duas obras compostas pelo padre carioca José Maurício Nunes Garcia, nomeado mestre da Capela Real por D. João VI.
 
Na parte inicial do volume, está o “Te Deum das Matinas de São Pedro CPM 92″. Criado em 1809, o “Te Deum” traz elementos da música italiana, uma concessão feita por José Maurício à sua obra para agradar à corte. Apesar da temática religiosa, as composições despertam uma certa alegria por meio dos arranjos de violinos agitados e os coros que, quase sempre, acompanham o solo do tenor.
 
Deixando o tom festivo do “Te Deum” de lado, o “Requiem” foi criado sob encomenda para a cerimônia que marcou a morte da rainha D. Maria I, mãe de D. João VI, em 1816. Quando a compôs, José Maurício ainda sentia a perda da mãe, que também falecera. O lado sombrio da obra está presente em todos os seus dez momentos, com destaque para os coros aterrorizantes de “Dies Irae” e “Inter Oves”.
 
No álbum “Modinhas Cariocas”, porém, a sisudez religiosa dá lugar ao amor platônico e aos temas rurais. O disco traz músicas dos três principais compositores do gênero – Candido Ignácio da Silva, Gabriel Fernandes da Trindade e Joaquim Manoel Gago da Câmera – interpretadas pelas virtuosas vozes do barítono Marcelo Coutinho e da meio-soprano Luciana Costa e Silva, acompanhados de viola de arame, flauta e cravo.
 
Além de evocar a dor de cotovelo, as músicas ainda registram questões sociais da época. Estão presentes as mudanças causadas pelo progresso, em “Lá no Largo da Sé” de Candido da Silva, e o problema da mendigagem no Rio de Janeiro, retratado em “Graças aos Ceos (Lundum)”, de Gabriel Trindade.
 
O lançamento dos outros dois discos está previsto para este semestre ainda. Um deles reunirá outra obra do padre José Maurício, a “Missa de Nossa Senhora da Conceição”, gravada pela Orquestra Sinfônica Brasileira e o Coro Calíope. O último CD da série é “O Sacro e o Profano na Corte de D. João VI”.




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