A renovação de um ritmo
Thiago Corrêa
A palavra gafieira, que cheirava a mofo, evocando imagens de um casal de idosos dançando num salão de taco em algum clube da cidade, ganhou um novo sopro de vida. O responsável por isso é o músico Cristovão Bastos. Ele retomou o gênero musical em grande estilo, com o disco “Curtindo a Gafieira”, lançado por intermédio da Lei de Incentivo do Ministério da Cultura.
As dez músicas, todas compostas e arranjadas por Bastos, lembram a imprevisibilidade do jazz. Sugerem caminhos, mas seguem compassos próprios, como se estivessem desbravando os horizontes do improviso. O piano de Bastos, aliado a instrumentos de sopro, percussão e corda, disferem dribles de Mané Garrincha nos nossos ouvidos.
A ginga cadenciada remete aos bons funks da super-banda Black Rio, da década de 70. Destaque para a faixa “Vai e Volta”, trilha perfeita para uma cena de malandro preparando um roubo a banco. Música boa para se dançar e aplaudir.