Registro na raiz
Thiago Corrêa
A população de Aliança agora tem motivo para se orgulhar. Graças à Usina Cultural Estrela de Ouro, o município da Mata Norte pernambucana vem merecendo destaque pela sua cultura, recuperando a imagem negativa deixada no ano passado com a cassação do prefeito, disputas judiciais e indefinições sobre a sucessão. Equipado com o Estúdio Multimídia Zé Duda, o ponto de cultura vai registrando a produção musical de grupos tradicionais da região.
Depois do disco do Caboclinho 7 Flexas, a Usina lança o álbum de estréia do Coco Popular de Aliança, com patrocínio do Funcultura e do Ministério da Cultura. Para marcar o momento, o grupo se apresenta, hoje, às 20h, na sede do ponto de cultura, que fica no sítio Chá de Camará, na zona rural de Aliança. O evento ainda conta com a participação do poeta TT Catalão e terá shows do Caboclinho 7 Flexas e do Maracatu Coração Nazareno, o próximo a lançar disco pela Usina.
O show do Coco Popular de Aliança será baseado no seu disco “Arrochando na Umbigada”. O álbum, gravado sob a direção musical de Climério Oliveira, traz 16 faixas, todas composições de Mestre Biu do Coco. O registro preserva as característica do coco e o clima das apresentações do grupo, mantendo as orientações do Mestre Biu aos outros músicos.
As canções possuem pouca variação rítmica, construídas pelo som dos instrumentos da alfaia, da caixa, bombinho, atabaque e uma forte presença do abê. As músicas são puxadas pela voz de Mestre Biu. É ele quem dá um fôlego novo ao disco, alternando a maneira de cantar.
Como as letras não passam de onze versos, as músicas são cantadas em cima de praticamente três estruturas. A mais diferente e exemplar único do disco é a “Coco de Improviso”. A canção funciona no esquema de pergunta e resposta, onde o coro não repete os mesmo versos entoados pelo Mestre Biu, que mostra talento ao disferir sua embolada.