As músicas que tocam nos filmes do Cine-PE
Thiago Corrêa
Cinema também é música. Além de usar as trilhas sonoras para criar climas e sentimentos, os quatro longas pernambucanos presentes na programação do Cine-PE ainda ajudam a divulgar a produção musical de bandas e artistas locais. Um exemplo é o filme “Amigos de Risco”, que tem trilha original da Chambaril, sob direção do músico Tomaz Alves de Souza. Uma oportunidade de conferir o trabalho da banda é na festa “Tudo Demais Tem Limite”, promovida pelo filme, hoje, a partir das 23h, no Quintal do Lima.
Com a experiência de já ter composto a trilha dos longas “Cinema, Aspirinas e Urubus” e “KFZ-1348″, dos curtas “Véio” e “Uma Vida e Outra” e do espetáculo de dança “Conceição”; Tomaz conta que cada projeto pede uma sonoridade diferente. “Como os filmes são criações pessoais dos seus diretores, eu preciso me adaptar a eles”, diz o músico.
No caso de “Amigos de Risco”, o conceito da trilha surgiu depois de uma conversa com o diretor do filme, Daniel Bandeira. “É como se fosse o lado A e o lado B, porque casa com o roteiro do filme. O primeiro tem ritmos populares, com códigos musicais mais bem definidos. O lado B tem um clima de jam session, são experiências sonoras mescladas com imagens”, explica Tomaz. As 12 faixas compostas por ele e o Chambaril foram gravadas em três finais de semana.
Já o documentário “Guia Prático, Histórico e Sentimental da Cidade do Recife”, único longa-metragem pernambucano a concorrer na programação oficial do Cine-PE, optou por uma trilha não-original de bandas locais. “Seria até inverossímil criar novas músicas para um documentário que se propõe retratar as sensações do Recife”, avalia Douro Moura, responsável pela montagem do filme.
O documentário “Pernambuco: O Golpe (1964-1979)”, que concorre com “Amigos de Risco” na Mostra Pernambuco, também segue essa linha. “Como são muitos depoimentos, usamos músicas mais instrumentais da época, para ficar no segundo plano e dar mais densidade à história”, revela o produtor Cleonildo Cruz.
A estratégia, porém, não é regra. Por se tratar de um filme sobre maracatu, o documentário “Que Baque É Esse?” ganhou uma trilha diversificada. “O filme já é recheado de maracatu, então eu precisava de músicas que não fossem do ritmo. Usamos composições que falam sobre a temática, mas que não necessariamente fosse maracatu”, conta Climério de Oliveira, um dos diretores do longa.