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09
jul
10

Cuba | A diversidade cultural da miscigenação

A diversidade cultural da miscigenação
Thiago Corrêa*

SANTIAGO DE CUBA – Depois de ver de perto uma amostra da cultura pernambucana durante o Desfile de la Serpiente na segunda-feira, os cubanos tiveram a oportunidade de entender um pouco mais do significado e da origem da diversidade cultural do estado. Cerca de 100 artistas – entre bailarinos e músicos – passaram pelo palco do Teatro Heredia na noite da última terça-feira para apresentar o espetáculo de gala de Pernambuco.

Com direção de Carlos Carvalho, diretor de Políticas Culturais da Fundarpe, a apresentação tentou contar como se deu o surgimento das manifestações culturais pernambucanas através da história do Brasil, a partir da colonização portuguesa e da miscigenação entre índios, brancos e negros. Para isso, o espetáculo usou as caracterizações do caboclinho para representar a influência indígena, do afoxé e da capoeira para demonstrar as heranças africanas.

Dessa forma, passaram pelo palco do Heredia desde manifestações mais tradicionais como o Cavalo Marinho Boi Pintado de Aliança e o maracatu Leão Coroado a artistas ligados a contemporaneidade como o rapper Zé Brown, da região metropolitana com o coco de xambá da Bongar ao Sertão com o forró de Josildo Sá. Em meio a tudo isso, os bailarinos do grupo Experimental surgiam para fazer intervenções coreográficas e o ator Sergio Gusmao fez duas aparições para contextualizar as atrações através da palavra.

Aliado a uma iluminação que ressaltou a identidade própria de cada atração e a projeção de imagens e vídeos ao fundo do palco, servindo para mostrar a plateia como tudo aquilo ali se encaixa no cotidiano do Recife, o espetáculo ainda teve o diferencial de pegar os artistas num momento de empolgação. Nesse quesito, mais uma vez ninguém superou a Orquestra da Bomba do Hemetério, com o Maestro Forró provocando risos no público ao reger os músicos com os pés, plantando bananeira. E foi com ele, comandando todas as atrações que já haviam passado pelo palco, ao som do frevo, que toda a formalidade de um espetáculo de gala acabou se transformando num grande carnaval em pleno Teatro Heredia, em Santiago de Cuba.

* O jornalista viajou a convite da Fundarpe.

07
jul
10

Cuba | Pernambuco coloca o bloco na rua em plena Santiago

Pernambuco coloca o bloco na rua em plena Santiago
Thiago Corrêa*

SANTIAGO DE CUBA – No dia em que Santiago de Cuba sofreu um abalo sísmico de 4.7 graus na escala Richter, a segunda cidade mais importante da ilha de Fidel Castro conheceu mais de perto a cultura pernambucana. Sem a restrição ao acesso à Casa de Pernambuco, aberta somente para convidados da organização do Festival do Caribe, os cubanos tiveram a oportunidade de conferir uma amostra da diversidade cultural do estado nordestino durante o Desfile de la Serpiente.

Em plena segunda-feira, o centro de Santiago de Cuba parou para assistir ao desfile das delegações que participam do Festival do Caribe. Fechando o cortejo (após a participação de Cuba, Argentina, México, Jamaica e Curaçao), sete agremiações pernambucanas aproveitaram o trajeto entre a Plaza de Marte e o Parque Céspedes se apresentaram no corpo-a-corpo à população cubana, num fim de tarde que lembrou e muito o período de carnaval.

A lembrança veio por conta das semelhanças entre as ruas estreitas de Santiago com as de Olinda, como também pela presença de ícones da festa popular pernambucana e pela proximidade com a celebração do carnaval cubano, comemorado a partir do dia 21 de julho. Mas como um país disciplinado pelo regime socialista que ainda traz mensagens pregando a união para superar as dificuldades pintadas em seus muros, a interação não ultrapassou a contemplação.

A população cubana assistiu – ordenadamente concentrada na beira das calçadas, nas janelas e sacadas das casas – o poder dos tambores do Maracatu Leão Coroado, viu com curiosidade os caboclos-de-lança do Maracatu Piaba de Ouro, os passos dos caboclinhos do 7 Flexas, admirou o frevo e as fantasias do bloco O Bonde e reconheceu semelhanças da religiosidade da ilha com os símbolos e o ritmo apresentado pelos afoxés Alafin Oyo e Oya Alaxe.

Até como uma forma de chamar a atenção das várias crianças que se amontoaram pelas calçadas da rua Aguilera, o desfile se encerrou com duas das bandas mais representativas da  música contemporânea pernambucana: a Orquestra Popular da Bomba do Hemetério com as mungangas do Maestro Forró e o grupo Bongar, que mostrou ser tão enérgico no chão quanto no palco.

* O jornalista viajou a convite da Fundarpe.




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