Arquivo de 28 agosto, 2010

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Roliúde dos palcos

Roliúde dos palcos
Thiago Corrêa

Com a boa repercussão do romance Roliúde, escrito por Homero Fonseca, não demorou muito para que os leitores entrassem no universo do personagem Bibiu e imaginasse a adaptação do livro para as salas de cinema. Algo que já começou a ser feito, com a elaboração do roteiro feita pelo cineasta Wilson Freire e o próprio autor da história. Mas antes, por um acaso que persegue os caminhos improváveis da arte, a obra caiu nas mãos do ator João Ricardo Oliveira e lhe despertou a vontade de levar para os palcos teatrais os causos vividos e contados por Bibiu.

Depois de uma temporada no Teatro Vanucci e no Centro Cultural da Justiça Federal no Rio de Janeiro, o espetáculo entra em cartaz no Teatro Apolo,  como parte da programação do festival A Letra e a Voz. “Estava vendo o que havia de interessante numa livraria e o título me chamou atenção. Depois, a capa, a sinopse. Comprei o livro e sentei em uma praça para ler. E ali mesmo, lá pela página vinte, já havia decidido transpor o romance para o palco”, recorda Oliveira. “Por causa da leitura, perdi a hora da sessão de cinema. Literalmente troquei Hollywood por Roliúde”, brinca ele.

Com a ideia fixa em mente, João Ricardo procurou Homero Fonseca para obter os direitos de adaptação. Numa dessas conversas ouviu a preocupação do escritor com relação ao sotaque do personagem para que não assumisse o tom estereotipado que os nordestinos assumem nas telenovelas. “Estudei o sotaque, a forma de falar, a nasalidade das palavras, o vocabulário. Foi interessante aprender que os sotaques são diferentes. O pernambucano não fala como o cearense, que não fala como o alagoano, que não fala como o baiano. Para a televisão, todo nordestino fala com sotaque baiano”, revela o ator.

Um cuidado que ele também precisou tomar para não se perder na veia oral com que o livro é construído. “No teatro precisamos minimizar a importância da palavra e assimilar outras ferramentas para estabelecer a comunicação, como a expressão corporal, a expressão facial, a mímica, a onomatopéia. Às vezes uma simples respiração ou pausa transmite toda uma ideia”, conta.

A exemplo do romance, o espetáculo mescla as confusões em que Bibiu se mete com as versões dos clássicos. “O que fiz então foi inserir, nas histórias vividas por Bibiu, personagens clássicos do cinema. Além disso, inseri um filme em um momento decisivo na vida de Bibiu, costurando as histórias das telas com a vida do personagem”, adianta.

Quanto ao formato, a peça pega carona na simplicidade de Bibiu de se valer apenas do gogó para ganhar a vida contando suas versões de clássicos do cinema. “A peça é um monólogo, uso apenas um banquinho. Artista de rua como Bibiu só pode contar consigo mesmo. Não usa elementos cênicos, objetos, troca de figurino, cenários. Sua matéria-prima é a imaginação”, explica João Ricardo Oliveira. “Usar projeções resultaria num espetáculo talvez até mais bonito visualmente falando, mas longe de suas origens, infiel à sua proposta original”, completa.




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