10
Set
09

Efeitos do SPA

Thiago Corrêa
thiagocorrea.pe@diariosassociados.com.br
O SPA das Artes só inicia oficialmente no domingo, mas a expectativa da espera já começou a movimentar o meio artítisco da cidade. Antes mesmo de acontecer a coletiva de imprensa para anunciar a programação do evento, já circulava pela internet e-mails divulgando o SPAM das Artes, um grito dos excluídos do principal evento de intervenções artísticas da capital pernambucana, a ser realizado na Galeria Mau Mau. Apesar de levantar um questionamento crítico em relação ao evento da Prefeitura do Recife, iniciativas como essa são exaltadas como resultado positivo do efeito catalizador do SPA das Artes.
“Gosto muito de ações espontâneas. O artista hoje está muito vinculado aos editais e isso me incomodava, porque os trabalhos acabavam sendo ações específicas para o SPA”, analisou Beth da Matta, coordenadora geral do evento. A abertura a críticas ganha corpo na própria programação oficial do evento, agregando o debate e a exposição Spacusados, reunindo artistas que tiveram trabalhos recusados pela curadoria.
“A ideia do SPA sempre foi gerar ações espontâneas. O Spacusados vai discutir o edital, que, embora seja uma lapadinha no SPA, o assunto é do interesse do evento. Por isso incorporamos o debate na programação”, completou Márcio Almeida, que também coordena o SPA. Esse processo de autocrítica do evento ainda será reverberado com a publicação da Revispa 2009, editada pela jornalista Olívia Mindelo e a crítica de arte Clarissa Diniz. “Tentamos refletir sobre o formato do evento, até que ponto existe descentralização e se o SPA é mesmo um evento de rua”, adiantou Olívia.
A revista será lançada no domingo, às 17h, durante a abertura das exposições Spátio, que reúne trabalhos de quatro artistas (Diogo Todé, Fernando Peres, Izidório Cavalcanti e Jacaré) e ainda uma mostra de vídeoarte, cada um ocupando os equipamentos culturais do Pátio de São Pedro. “Decidimos fazer a abertura e o encerramento do SPA lá para movimentar a programação do Pátio”, explicou o secretário de Cultura, Renato L.
Os tentáculos do SPA também agregam exposições na Galeria Dumaresq e no Museu Murillo La Greca, mostra nas faculdades Aeso e ciclos de palestras da Fundação Joaquim Nabuco. “O SPA tem esse espírito agregador, assumimos essas mostras paralelas sem receios. Quando existe uma coordenação, cria-se um perfil do que pode ou não ser incorporado”, pontuou Almeida. Além das exposições e debates, o SPA ganha as ruas com 14 intervenções urbanas a partir de segunda-feira, envolvendo trabalhos selecionados pelo edital de artistas do Rio Grande do Sul, São Paulo, Ceará, Paraíba, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Bahia, Minas Gerais e Pernambuco. Esse processo de descentralização foi ampliado na edição deste ano, deixando de ser geográfico e começou a ser estendido aos vários grupos sociais da cidade. Para isso, o evento reedita ações no Hospital Ulisses Pernambucano, que não acontecia desde 2005. O SPA Tamarineira oferece oficinas aos pacientes, profissionais do hospital e interessados, bem como promove discussões e exibição de vídeos. Outra novidade é a oficina de fotografia “Pinhole ao pinlux” realizada com as detentas da Colônia Penal Feminina Bom Pastor. O resultado dessa oficina vai gerar uma exposição no local e depois integra a programação da Semana de Fotografia e do saldão do SPA.

Efeitos do SPA
Thiago Corrêa

O SPA das Artes só inicia oficialmente no domingo, mas a expectativa da espera já começou a movimentar o meio artítisco da cidade. Antes mesmo de acontecer a coletiva de imprensa para anunciar a programação do evento, já circulava pela internet e-mails divulgando o SPAM das Artes, um grito dos excluídos do principal evento de intervenções artísticas da capital pernambucana, a ser realizado na Galeria Mau Mau. Apesar de levantar um questionamento crítico em relação ao evento da Prefeitura do Recife, iniciativas como essa são exaltadas como resultado positivo do efeito catalizador do SPA das Artes.

“Gosto muito de ações espontâneas. O artista hoje está muito vinculado aos editais e isso me incomodava, porque os trabalhos acabavam sendo ações específicas para o SPA”, analisou Beth da Matta, coordenadora geral do evento. A abertura a críticas ganha corpo na própria programação oficial do evento, agregando o debate e a exposição Spacusados, reunindo artistas que tiveram trabalhos recusados pela curadoria.

“A ideia do SPA sempre foi gerar ações espontâneas. O Spacusados vai discutir o edital, que, embora seja uma lapadinha no SPA, o assunto é do interesse do evento. Por isso incorporamos o debate na programação”, completou Márcio Almeida, que também coordena o SPA. Esse processo de autocrítica do evento ainda será reverberado com a publicação da Revispa 2009, editada pela jornalista Olívia Mindelo e a crítica de arte Clarissa Diniz. “Tentamos refletir sobre o formato do evento, até que ponto existe descentralização e se o SPA é mesmo um evento de rua”, adiantou Olívia.

A revista será lançada no domingo, às 17h, durante a abertura das exposições Spátio, que reúne trabalhos de quatro artistas (Diogo Todé, Fernando Peres, Izidório Cavalcanti e Jacaré) e ainda uma mostra de vídeoarte, cada um ocupando os equipamentos culturais do Pátio de São Pedro. “Decidimos fazer a abertura e o encerramento do SPA lá para movimentar a programação do Pátio”, explicou o secretário de Cultura, Renato L.

Os tentáculos do SPA também agregam exposições na Galeria Dumaresq e no Museu Murillo La Greca, mostra nas faculdades Aeso e ciclos de palestras da Fundação Joaquim Nabuco. “O SPA tem esse espírito agregador, assumimos essas mostras paralelas sem receios. Quando existe uma coordenação, cria-se um perfil do que pode ou não ser incorporado”, pontuou Almeida. Além das exposições e debates, o SPA ganha as ruas com 14 intervenções urbanas a partir de segunda-feira, envolvendo trabalhos selecionados pelo edital de artistas do Rio Grande do Sul, São Paulo, Ceará, Paraíba, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Bahia, Minas Gerais e Pernambuco.

Esse processo de descentralização foi ampliado na edição deste ano, deixando de ser geográfico e começou a ser estendido aos vários grupos sociais da cidade. Para isso, o evento reedita ações no Hospital Ulisses Pernambucano, que não acontecia desde 2005. O SPA Tamarineira oferece oficinas aos pacientes, profissionais do hospital e interessados, bem como promove discussões e exibição de vídeos. Outra novidade é a oficina de fotografia “Pinhole ao pinlux” realizada com as detentas da Colônia Penal Feminina Bom Pastor. O resultado dessa oficina vai gerar uma exposição no local e depois integra a programação da Semana de Fotografia e do saldão do SPA.

09
Set
09

A alma de Carrero vai ao cinema

A alma de Carrero vai ao cinema
Thiago Corrêa

Aos 61 anos, o escritor pernambucano Raimundo Carrero vem mostrando que ainda está com fôlego para se embrenhar pelos becos estreitos da arte. Aproveitando a homenagem que receberá durante a Bienal Internacional do Livro de Pernambuco, em outubro; Carrero lança simultaneamente o romance A minha alma é irmã de Deus e sua adapatação cinematográfica, um curta-metragem dirigido por Luci Alcântara, responsável pelo documentário Geração 65: aquela coisa toda.

A ideia de fazer o filme surgiu do próprio Carrero, que propôs o desafio a cineasta. “Tomei uma iniciativa tomei para mostrar que temos bons romances na literatura pernambucana que podem ser adaptados para o cinema”, conta o escritor. “Sou um autor muito imagético, venho do teatro. Trabalho com imagens concretas e essa história tem a movimentação para fazer a mágica do cinema”, completa ele.

Em apenas quatro meses, ainda sem ter acesso ao livro, Luci desenvolveu o roteiro a partir de um esboço feito pelo autor de Sombra severa e já começou a procurar parceiros, selecionar elenco e buscar locações. “Como não li o romance, ele me explicou os personagens e fui bulindo no pré-roteiro feito por Carrero. Ele me deixou muito a vontade para mexer”, explica Luci.

Entre as mudanças, a cineasta trocou a locação do o Pátio de Santa Cruz, imaginado por Carrero, pelo Poço da Panela, por reunir uma série de faciliades práticas ao processo de filmagem. “Até achei bom não ter lido o livro, porque não precisei me prender muito a ele. Mas tive o cuidado de de não mexer na essência da história, no espírito religioso e nessa coisa non-sense da história de Carrero”, analisa a cineasta.

Além da religiosidade, o filme e o livro também trazem algumas marcas da obra de Carrero, como violência, tensão sexual, loucura e personagens em situações-limite, beirando a loucura. O curta conta a história de Camila (personagem de Luisa Lobo), uma jovem de classe média que entra em transe após assistir a um culto religioso e acha que pode se transformar em santa.

Envolvendo uma equipe de 20 pessoas, o curta tem seu quarto e último dia de gravação hoje. Frente às câmeras, 10 pessoas integram o elenco, que reúne nomes como João Freire, César Maia, Fabiana Pirro, Laís Vieira, o produtor musical Leo Antunes e o apresentador Roger de Renor, no papel do mecânico Ary. “Já fiz teatro no anos 90, passei dois anos no Balé Popular e já tenho um histórico de videoclipe”, brinca Roger. Na figuração ainda fazem pontas o cantor João do Morro e os DJs Lala K, DJ Dolores e Felipe Machado. A trilha sonora terá músicas de Isaar e da Bande Ciné.

08
Set
09

A invasão dos desenhos de Killian Glasner

Thiago Corrêa
thiagocorrea.pe@diariosassociados.com.br
Embora haja quem considere as artes visuais um vernáculo impenetrável, ela tem dado sinais de que não só está aberta ao diálogo, como vem procurando se inserir no contexto cotidiano. Na exposição A ambição do desenho, o artista plástico pernambucano Killian Glasner estimula a relação entre seus desenhos com a paisagem urbana e as paredes onde quadros e fotografias são pendurados. A mostra abre com coquetel para convidados hoje, às 19h30, no Instituto Cultural Banco Real, que fica no Recife Antigo. A exposição permanece em cartaz até o dia 11 de outubro, abrindo para visitações gratuitas de terça-feira a domingo, das 14h às 20h.
Em sua terceira mostra individual no Recife, Glasner retoma uma paisagem vista por ele em 2002, quando vagava por um parque de Amsterdam, na Holanda. “Era fim de inverno e o parque estava coberto de neve, já derretendo. Foi como um clique, ela representava minha solidão de estar morando na Europa, meus questionamentos sobre a arte e minha vulnerabilidade naquele momento”, contextualiza o recifense, que viveu em Paris de 2000 a 2007. O impacto dessa visão tem servido como gatilho para a criação de uma série de experiências do artista.
“A paisagem está em tudo, a questão é como ela se desdobra. Quero ir além da sua representação, estou buscando fazer os desenhos se comunicarem com a arquitetura do lugar, quero que eles absorvam o espaço em que estão”, explica Glasner. Esse diálogo acontece primeiro na forma dos desenhos preto-e-branco em pastel que integram a série Park (2002). Depois reaparece na série de fotografias Rua do Futuro, que reproduz a instalação do artista desenvolvida para o Instituto Itaú Cultural no primeiro semestre deste ano. As imagens propõem a interação entre os desenhos de Glasner, feitos nas paredes de uma casa abandonada de São Paulo, e a paisagem no entorno do imóvel.
De um lado, troncos pretos desenhados na parede brotam como arranhas-céus; do outro, ganham vida com o verde das folhas de uma árvore em plena capital paulista. “Junto essas dimensões diferentes, uso a ilusão de paisagens imaginárias num ambiente interno para se comunicar com o que está fora, num processo visceral de ruptura do espaço, mostrando o contraste da natureza e do urbano”, analisa o artista.
Essa ideia volta a ser explorada num terceiro momento da exposição, quando Glasner promove intervenções nos desenhos de acordo com o ambiente onde estão expostos, usando dobras, colunas e quinas da sala de exposição. “É um ruptura mais mecânica, o desenho se mistura com a arquitetura. Os desenhos foram feitos para essa parede”, conta.
Além das intervenções diretas e molduras adaptáveis às imperfeições arquitetônicas, o artista abre janelas, perfura seus próprio desenho para emoldurar o mundo exterior à galeria no universo da imaginação. “As pessoas olham para o mar e já não percebe essa paisagem. Tento fazer com que elas vejam essa árvore da rua de uma forma diferente”, revela Glasner. A exposição também traz um vídeo de animação de 2 minutos, composto por 1.100 desenhos fotografados em stop motion.

A invasão dos desenhos de Killian Glasner
Thiago Corrêa

Embora haja quem considere as artes visuais um vernáculo impenetrável, ela tem dado sinais de que não só está aberta ao diálogo, como vem procurando se inserir no contexto cotidiano. Na exposição A ambição do desenho, o artista plástico pernambucano Killian Glasner estimula a relação entre seus desenhos com a paisagem urbana e as paredes onde quadros e fotografias são pendurados. A mostra abre com coquetel para convidados hoje, às 19h30, no Instituto Cultural Banco Real, que fica no Recife Antigo. A exposição permanece em cartaz até o dia 11 de outubro, abrindo para visitações gratuitas de terça-feira a domingo, das 14h às 20h.

Em sua terceira mostra individual no Recife, Glasner retoma uma paisagem vista por ele em 2002, quando vagava por um parque de Amsterdam, na Holanda. “Era fim de inverno e o parque estava coberto de neve, já derretendo. Foi como um clique, ela representava minha solidão de estar morando na Europa, meus questionamentos sobre a arte e minha vulnerabilidade naquele momento”, contextualiza o recifense, que viveu em Paris de 2000 a 2007. O impacto dessa visão tem servido como gatilho para a criação de uma série de experiências do artista.

“A paisagem está em tudo, a questão é como ela se desdobra. Quero ir além da sua representação, estou buscando fazer os desenhos se comunicarem com a arquitetura do lugar, quero que eles absorvam o espaço em que estão”, explica Glasner. Esse diálogo acontece primeiro na forma dos desenhos preto-e-branco em pastel que integram a série Park (2002). Depois reaparece na série de fotografias Rua do Futuro, que reproduz a instalação do artista desenvolvida para o Instituto Itaú Cultural no primeiro semestre deste ano. As imagens propõem a interação entre os desenhos de Glasner, feitos nas paredes de uma casa abandonada de São Paulo, e a paisagem no entorno do imóvel.

De um lado, troncos pretos desenhados na parede brotam como arranhas-céus; do outro, ganham vida com o verde das folhas de uma árvore em plena capital paulista. “Junto essas dimensões diferentes, uso a ilusão de paisagens imaginárias num ambiente interno para se comunicar com o que está fora, num processo visceral de ruptura do espaço, mostrando o contraste da natureza e do urbano”, analisa o artista.

Essa ideia volta a ser explorada num terceiro momento da exposição, quando Glasner promove intervenções nos desenhos de acordo com o ambiente onde estão expostos, usando dobras, colunas e quinas da sala de exposição. “É um ruptura mais mecânica, o desenho se mistura com a arquitetura. Os desenhos foram feitos para essa parede”, conta.

Além das intervenções diretas e molduras adaptáveis às imperfeições arquitetônicas, o artista abre janelas, perfura seus próprio desenho para emoldurar o mundo exterior à galeria no universo da imaginação. “As pessoas olham para o mar e já não percebe essa paisagem. Tento fazer com que elas vejam essa árvore da rua de uma forma diferente”, revela Glasner. A exposição também traz um vídeo de animação de 2 minutos, composto por 1.100 desenhos fotografados em stop motion.

06
Set
09

Pesquisa: Um olhar da RMR sobre a cultura

Apesar do aparente fortalecimento da cultura pernambucana, pouco se sabe sobre o seu raio de penetração na população pernambucana. Um desconhecimento causado pela escassez de levantamentos estatísticos com foco na área cultural, que, quando acontecem, são mais voltados para o lado da movimentação econômica em períodos festivos como o Carnaval e o São João. Para suprir um pouco essa carência, o Grupo de Estudos do Macroambiente Empresarial de Pernambuco (Gemepe), da Faculdade Frassinetti do Recife (Fafire), realizou uma pesquisa para avaliar o nível de conhecimento da população sobre a produção cultural pernambucana.
Realizada entre 1 e 10 de julho com 650 moradores da Região Metropolitana do Recife (RMR), a pesquisa revelou que a cultura ainda tem muito o que avançar. Dos entrevistados, apenas 6,65% disseram conhecer muito a produção local. A maioria dos pesquisados, 44,94%, classificaram seu conhecimento como médio e 38,45% disseram ter pouca informação, enquanto 9,79% assumiram desconhecer a cultura local. “Essa pesquisa não é uma prova para testar o grau de instrução das pessoas, mas fazer com que elas admitissem seu nível cultural”, explica o coordenador do Gemepe, Uranilson Barbosa de Carvalho.
Embora os dados revelem que ainda existe uma fatia de 48,42% a ser conquistada, o levantamento indica que não há rejeição por parte desse público. Estimulados por outra pergunta, 40,19% afirmaram que valorizavam muito a cultura pernambucana, 38,45% optaram pelo parâmetro médio, 17,56% pouco e apenas 3,8% responderam que não. Um percentual pequeno, mas que preocupa por ter sido a resposta de 33,33% do público jovem, entre 16 a 25 anos, entrevistado.
“O aspecto positivo da valorização cresce muito. Apesar de quase metade admitir ter pouco ou nenhum conhecimento, eles consideram importante valorizar a cultura pernambucana. E se valorizam, eles vão consumir se forem incentivados”, analisa Carvalho. Uma conclusão que é reafirmada ao se destrinchar as respostas de acordo com a renda e o grau de instrução dos entrevistados.
O índice geral de 6,65% dos que afirmaram conhecer muito a cultura pernambucana aumenta para 38,1% entre que ganham mais de R$ 9.300 por mês e para 52,38% entre os que possuem grau superior completo. Enquanto os que admitiram ter nenhum conhecimento, o percentual geral de 9,97% aumenta para 25,4% (entre os que possuem renda mensal inferior a R$ 465) e 44,44% (na faixa entre R$ 465 e R$ 930).
Com base nesses dados, o coordenador do Gemepe acredita que a pesquisa pode contribuir para o desenvolvimento de políticas públicas. “A pesquisa na cultura não é valorizada. Seria importante a gente acompanhar isso, até para saber se esses índices já foram piores. A gente não sabe, mas agora temos um referencial, uma base para se comparada”, aponta Carvalho.
Até o fim do mês o Gemepe publica uma nova pesquisa, dessa vez mais voltada para o consumo da cultura. “Vai ser um foco mais econômico, para ver o padrão de consumo do público. A segunda etapa dará uma avaliação mais conclusiva para ver quais as dificuldades do acesso à cultura”, adiantou.

Um olhar da RMR sobre a cultura
Thiago Corrêa

Apesar do aparente fortalecimento da cultura pernambucana, pouco se sabe sobre o seu raio de penetração na população pernambucana. Um desconhecimento causado pela escassez de levantamentos estatísticos com foco na área cultural, que, quando acontecem, são mais voltados para o lado da movimentação econômica em períodos festivos como o Carnaval e o São João. Para suprir um pouco essa carência, o Grupo de Estudos do Macroambiente Empresarial de Pernambuco (Gemepe), da Faculdade Frassinetti do Recife (Fafire), realizou uma pesquisa para avaliar o nível de conhecimento da população sobre a produção cultural pernambucana.

Realizada entre 1 e 10 de julho com 650 moradores da Região Metropolitana do Recife (RMR), a pesquisa revelou que a cultura ainda tem muito o que avançar. Dos entrevistados, apenas 6,65% disseram conhecer muito a produção local. A maioria dos pesquisados, 44,94%, classificaram seu conhecimento como médio e 38,45% disseram ter pouca informação, enquanto 9,79% assumiram desconhecer a cultura local. “Essa pesquisa não é uma prova para testar o grau de instrução das pessoas, mas fazer com que elas admitissem seu nível cultural”, explica o coordenador do Gemepe, Uranilson Barbosa de Carvalho.

Embora os dados revelem que ainda existe uma fatia de 48,42% a ser conquistada, o levantamento indica que não há rejeição por parte desse público. Estimulados por outra pergunta, 40,19% afirmaram que valorizavam muito a cultura pernambucana, 38,45% optaram pelo parâmetro médio, 17,56% pouco e apenas 3,8% responderam que não. Um percentual pequeno, mas que preocupa por ter sido a resposta de 33,33% do público jovem, entre 16 a 25 anos, entrevistado.

“O aspecto positivo da valorização cresce muito. Apesar de quase metade admitir ter pouco ou nenhum conhecimento, eles consideram importante valorizar a cultura pernambucana. E se valorizam, eles vão consumir se forem incentivados”, analisa Carvalho. Uma conclusão que é reafirmada ao se destrinchar as respostas de acordo com a renda e o grau de instrução dos entrevistados.

O índice geral de 6,65% dos que afirmaram conhecer muito a cultura pernambucana aumenta para 38,1% entre que ganham mais de R$ 9.300 por mês e para 52,38% entre os que possuem grau superior completo. Enquanto os que admitiram ter nenhum conhecimento, o percentual geral de 9,97% aumenta para 25,4% (entre os que possuem renda mensal inferior a R$ 465) e 44,44% (na faixa entre R$ 465 e R$ 930).

Com base nesses dados, o coordenador do Gemepe acredita que a pesquisa pode contribuir para o desenvolvimento de políticas públicas. “A pesquisa na cultura não é valorizada. Seria importante a gente acompanhar isso, até para saber se esses índices já foram piores. A gente não sabe, mas agora temos um referencial, uma base para se comparada”, aponta Carvalho.

Até o fim do mês o Gemepe publica uma nova pesquisa, dessa vez mais voltada para o consumo da cultura. “Vai ser um foco mais econômico, para ver o padrão de consumo do público. A segunda etapa dará uma avaliação mais conclusiva para ver quais as dificuldades do acesso à cultura”, adiantou.

06
Set
09

Pesquisa: Números revelam desprezo com as palavras

A pesquisa realizada pelo Gemepe/Fafire também se preocupou em entender as particularidades das diferentes expressões artísticas. Os dados se mostraram mais precoupantes nas áreas de artes visuais e de literatura. Em comum, os dois campos não possuem um apelo de massa como a música ou o cinema, e os altos índices de desconhecimento por parte da população da Região Metropolitana do Recife.
No caso da literatura, foi feita a pergunta: Você conhece algum escritor pernambucano? Das 650 pessoas entrevistadas, 57,1% delas disseram que não e 42,9% que sim. Destes, 13,97% não souberam citar nenhum autor pernambucano. “Isso nos mostra que a gente precisa avançar cada vez mais nos programas de fomento a leitura. Não adianta a gente publicar e publicar, se não tem ninguém para ler”, avalia a cineasta Clara Angélica, que há duas semanas assumiu o posto de gerente de literatura da Fundarpe.
“Os livros existem e os escritores são maravilhosos. O que falta é a gente conseguir levar eles aos leitores e criar o hábito da leitura”, completa. Segundo ela, a pesquisa reflete uma realidade nacional. “Esse não é um indicativo só nosso, a leitura per capita do Brasil é de dois livros por ano. No Chile, esse índice é três ou quatro vezes maior”, pondera Clara Angélica.
Outro dado importante da pesquisa é que, dos cinco escritores citados, apenas dois estão vivos – Luzilá Gonçalves e Ariano Suassuna. Embora seja paraibano, Suassuna foi lembrado por 48,16% dos entrevistados. Em segundo lugar ficou Gilberto Freyre (11,76%), seguido por Osman Lins (5,51%), João Cabral de Melo Neto (4,78%) e Luzilá Gonçalves com 2,21%. Outros nomes foram lembrados, mas não atingiram um percentual expressivo.
Tirando a escritora, todos os outros citados são autores já consagrados, presentes nas listas de vestibular e que fazem parte do cânone literário pernambucano. “Isso reflete o quanto nosso ensino dá ênfase aos canônicos. O ensino de literatura segue uma ordem cronológica e para no século XX”, observa a gerente de literatura da Fundação de Cultura do Recife, Heloísa Arcoverde.
Para ela, essa tendência do ensino em trabalhar com autores consagrados se deve a um certo comodismo dos educadores. “É muito mais seguro se trabalhar com um João Cabral, por exemplo, que já tem toda uma fortuna crítica analisando sua obra. Por isso um dos nossos objetivos tem sido o de trabalhar com literatura pernambucana contemporânea”, analisa Heloísa.
Artes – No caso das artes visuais a situação é ainda mais drástica. Apenas 33,4% disseram que conheciam um artista plástico pernambucano. Deles 18,99% não lembraram de nenhum nome e 57,54% citaram o escultor Francisco Brennand. Quando a pergunta passou a se referir especificamente a pintores locais, o nível de desconhecimento aumentou para 77,1%. Entre os 22,9%o que conheciam algum pintor pernambucano, 12,31% não lembraram de nenhum nome. O pintor mais citado foi Romero Britto (28,46%), seguido por Gil Vicente, com 16,92%. (Thiago Corrêa)

Números revelam desprezo com as palavras
Thiago Corrêa

A pesquisa realizada pelo Gemepe/Fafire também se preocupou em entender as particularidades das diferentes expressões artísticas. Os dados se mostraram mais precoupantes nas áreas de artes visuais e de literatura. Em comum, os dois campos não possuem um apelo de massa como a música ou o cinema, e os altos índices de desconhecimento por parte da população da Região Metropolitana do Recife.

No caso da literatura, foi feita a pergunta: Você conhece algum escritor pernambucano? Das 650 pessoas entrevistadas, 57,1% delas disseram que não e 42,9% que sim. Destes, 13,97% não souberam citar nenhum autor pernambucano. “Isso nos mostra que a gente precisa avançar cada vez mais nos programas de fomento a leitura. Não adianta a gente publicar e publicar, se não tem ninguém para ler”, avalia a cineasta Clara Angélica, que há duas semanas assumiu o posto de gerente de literatura da Fundarpe.

“Os livros existem e os escritores são maravilhosos. O que falta é a gente conseguir levar eles aos leitores e criar o hábito da leitura”, completa. Segundo ela, a pesquisa reflete uma realidade nacional. “Esse não é um indicativo só nosso, a leitura per capita do Brasil é de dois livros por ano. No Chile, esse índice é três ou quatro vezes maior”, pondera Clara Angélica.

Outro dado importante da pesquisa é que, dos cinco escritores citados, apenas dois estão vivos – Luzilá Gonçalves e Ariano Suassuna. Embora seja paraibano, Suassuna foi lembrado por 48,16% dos entrevistados. Em segundo lugar ficou Gilberto Freyre (11,76%), seguido por Osman Lins (5,51%), João Cabral de Melo Neto (4,78%) e Luzilá Gonçalves com 2,21%. Outros nomes foram lembrados, mas não atingiram um percentual expressivo.

Tirando a escritora, todos os outros citados são autores já consagrados, presentes nas listas de vestibular e que fazem parte do cânone literário pernambucano. “Isso reflete o quanto nosso ensino dá ênfase aos canônicos. O ensino de literatura segue uma ordem cronológica e para no século XX”, observa a gerente de literatura da Fundação de Cultura do Recife, Heloísa Arcoverde.

Para ela, essa tendência do ensino em trabalhar com autores consagrados se deve a um certo comodismo dos educadores. “É muito mais seguro se trabalhar com um João Cabral, por exemplo, que já tem toda uma fortuna crítica analisando sua obra. Por isso um dos nossos objetivos tem sido o de trabalhar com literatura pernambucana contemporânea”, analisa Heloísa.

Artes - No caso das artes visuais a situação é ainda mais drástica. Apenas 33,4% disseram que conheciam um artista plástico pernambucano. Deles 18,99% não lembraram de nenhum nome e 57,54% citaram o escultor Francisco Brennand. Quando a pergunta passou a se referir especificamente a pintores locais, o nível de desconhecimento aumentou para 77,1%. Entre os 22,9%o que conheciam algum pintor pernambucano, 12,31% não lembraram de nenhum nome. O pintor mais citado foi Romero Britto (28,46%), seguido por Gil Vicente, com 16,92%.

06
Set
09

Pesquisa: Milho foi o prato do dia

O estudo do Gemepe/Fafire também investigou a força dos sabores locais. O prato eleito como a que melhor representa a culinária pernambucana foram as comidas feitas de milho, atingindo um índice de 37,03% na pesquisa espontânea. Em segundo lugar ficou a feijoada, com 24,37%, e o bolo de rolo com 8,39% na terceira posição. “Para mim foi uma surpresa, porque não estávamos no período do São João. A escolha da feijoada relfete uma desinformação da população, que mostrou conhecer pouco da culinária pernambucana”, analisou Uranilson Barbosa de Carvalho, coordenador do Gemepe. Na pesquisa também foram citados a carne de sol (6,49%), o bolo Souza Leão (6,33%), o arrumadinho (4,75%), o escondidinho (2,37%) e a tapioca (1,74%).

06
Set
09

Pesquisa: Na música, deu Alceu e o frevo

No campo da música, a pesquisa revelou que o ritmo que melhor representa a cultura pernambucana é o frevo, segundo a opinião espontânea dos moradores da Região Metropolitana do Recife (RMR). O gênero musical de Capiba e Nelson Ferreira foi destacado por 54,11% dos entrevistados. A hegemonia do frevo no imaginário pernambucano agora pode ser traduzida em números, o percentual alcançado pelo ritmo centenário foi maior que o dobro do segundo colocado – o forró.
Embora tenha um apelo mais regional do que estadual, o forró ficou com 26,27%. “Existe uma coerência em relação aos ritmos escolhidos, apesar do forró ser um gênero pulverizado”, pondera o coordenador do Gemepe, Uranilson Barbosa de Carvalho. A terceira posição foi ocupada pelo maracatu, com 14,56%, e em quarto a ciranda, com 2,22%.
A escolha dos ritmos também mostrou coerência na eleição do músico que melhor representa a cultura pernambucana. Mesmo com uma obra que transita por diversos gêneros musicais (do frevo ao forró), ou até por conta disso, Alceu Valença foi o cantor mais lembrado na pesquisa, ficando com 41,77%. O compositor de La belle de jour, foi bem lembrado por em todas as faixas etárias, gênero, grau de instrução e classe social.
O segundo lugar foi ocupado pelo forrozeiro Luiz Gonzaga, com 22,47%. O terceiro nome mais lembrado foi o de Chico Science, com 6,79%. Também foram citados Lenine (5,06%), Antônio Carlos Nóbrega (3,8%), a paraibana Elba Ramalho (2,69%) e Reginaldo Rossi (2,37%). (Thiago Corrêa)

Na música deu Alceu e o frevo
Thiago Corrêa

No campo da música, a pesquisa revelou que o ritmo que melhor representa a cultura pernambucana é o frevo, segundo a opinião espontânea dos moradores da Região Metropolitana do Recife (RMR). O gênero musical de Capiba e Nelson Ferreira foi destacado por 54,11% dos entrevistados. A hegemonia do frevo no imaginário pernambucano agora pode ser traduzida em números, o percentual alcançado pelo ritmo centenário foi maior que o dobro do segundo colocado – o forró.

Embora tenha um apelo mais regional do que estadual, o forró ficou com 26,27%. “Existe uma coerência em relação aos ritmos escolhidos, apesar do forró ser um gênero pulverizado”, pondera o coordenador do Gemepe, Uranilson Barbosa de Carvalho. A terceira posição foi ocupada pelo maracatu, com 14,56%, e em quarto a ciranda, com 2,22%.

A escolha dos ritmos também mostrou coerência na eleição do músico que melhor representa a cultura pernambucana. Mesmo com uma obra que transita por diversos gêneros musicais (do frevo ao forró), ou até por conta disso, Alceu Valença foi o cantor mais lembrado na pesquisa, ficando com 41,77%. O compositor de La belle de jour, foi bem lembrado por em todas as faixas etárias, gênero, grau de instrução e classe social.

O segundo lugar foi ocupado pelo forrozeiro Luiz Gonzaga, com 22,47%. O terceiro nome mais lembrado foi o de Chico Science, com 6,79%. Também foram citados Lenine (5,06%), Antônio Carlos Nóbrega (3,8%), a paraibana Elba Ramalho (2,69%) e Reginaldo Rossi (2,37%).

03
Set
09

Trajetórias sobrepostas

Thiago Corrêa
thiagocorrea.pe@diariosassociados.com.br
A nova safra do Projeto Trajetórias começa a dar frutos com a inauguração, às 19h de hoje, de duas exposições na Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj) de Casa Forte. Até 11 de outubro, a galeria Baobá estará ocupada com Força-tarefa, primeira parceria entre os gaúchos Fernanda Gassen e Cristiano Lenhardt, este radicado no Recife. Perto dali, na galeria Massangana, a carioca Flávia Metzler estreia em solo pernambucano com a mostra Cada pintor resume à sua maneira a história da pintura… . Os três artistas estarão no local, às 20h de hoje, para um bate-papo com o público.
Força-tarefa consiste numa exposição de cerca de 30 fotografias trabalhadas em conjunto por Lenhardt e Fernanda. “Em 2006, quando a gente estava se mudando, cada um para um lugar novo, decidimos fazer esse trabalho de reconhecimento desses lugares e compartilhar essas experiências”, explica Lenhardt.
Abertos a experimentações, eles começaram tirando fotos digitais e enviando ao outro, que ficava responsável por recontextualizar àquela paisagem em outro ambiente, tirando uma foto da foto. A brincadeira deu nos contrastes da natureza com o urbano e descobriu semelhanças visuais entre locais geograficamente distantes.
Num segundo momento, a dupla de artistas passou a usar câmeras analógicas, usavam o filme e mandavam para o parceiro reutilizá-lo, num processo de justaposição de imagens. “Na primeira fase a gente tinha noção de como poderia ser o resultado, na segunda não dava para saber, foi ao acaso”, lembra Fernanda.
As imagens foram expostas ano passado no Rio de Janeiro, numa série da Funarte, e chegam ao Recife com o acréscimo de dois vídeos. Neles, os artistas exploram a mesma ideia das fotos, mas utilizando recursos digitais para inserir efeitos nas imagens.
Embora trabalhe exclusivamente com pintura em Cada pintor resume à sua maneira a história da pintura…, Flávia também explora esse processo de justaposição de imagens, porém mais cruzando linhas do tempo do que promovendo aproximações geográficas. Dividida em três séries – Objetos, Paródias e Catálogos; a exposição reúne 17 telas onde a artista se propõe a discutir os meandros do sistema das artes.
Na Paródias, obras famosas ou da própria artista aparecem expostos numa parede, em forma de objetos utilitários como biombos ou projetados durante uma palestra. No Catálogos, a artista revisita as diversas fases de sua carreira, imaginando-as em brochuras de luxo, sempre com a reprodução de uma obra sua na capa, incluindo uma imagem da série Objetos, com pinturas de utensílios como telescópio e avião. “Queria buscar objetos produzidos em série. Lançava um termo como dialética na internet e escolhia o objeto. Foi uma forma de testar a flexibilidade entre a palavra e a imagem”, explica Flávia.
A Fundaj de Casa Forte fica na Av. 17 de Agosto, 2187. Após a abertura, as visitas podem ser feitas de terça-feira a sexta-feira, das 9h às 12h e das 14h às 17h. Aos sábados, domingos e feriados, o horário de visitação é das 13h às 17h.

Trajetórias sobrepostas
Thiago Corrêa

A nova safra do Projeto Trajetórias começa a dar frutos com a inauguração, às 19h de hoje, de duas exposições na Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj) de Casa Forte. Até 11 de outubro, a galeria Baobá estará ocupada com Força-tarefa, primeira parceria entre os gaúchos Fernanda Gassen e Cristiano Lenhardt, este radicado no Recife. Perto dali, na galeria Massangana, a carioca Flávia Metzler estreia em solo pernambucano com a mostra Cada pintor resume à sua maneira a história da pintura… . Os três artistas estarão no local, às 20h de hoje, para um bate-papo com o público.

Força-tarefa consiste numa exposição de cerca de 30 fotografias trabalhadas em conjunto por Lenhardt e Fernanda. “Em 2006, quando a gente estava se mudando, cada um para um lugar novo, decidimos fazer esse trabalho de reconhecimento desses lugares e compartilhar essas experiências”, explica Lenhardt.

Abertos a experimentações, eles começaram tirando fotos digitais e enviando ao outro, que ficava responsável por recontextualizar àquela paisagem em outro ambiente, tirando uma foto da foto. A brincadeira deu nos contrastes da natureza com o urbano e descobriu semelhanças visuais entre locais geograficamente distantes.

Num segundo momento, a dupla de artistas passou a utilizar câmeras analógicas, usavam o filme e mandavam para o parceiro reutilizá-lo, num processo de sobreposição de imagens. “Na primeira fase a gente tinha noção de como poderia ser o resultado, na segunda não dava para saber, foi ao acaso”, lembra Fernanda.

As imagens foram expostas ano passado no Rio de Janeiro, numa série da Funarte, e chegam ao Recife com o acréscimo de dois vídeos. Neles, os artistas exploram a mesma ideia das fotos, mas utilizando recursos digitais para inserir efeitos nas imagens.

Embora trabalhe exclusivamente com pintura em Cada pintor resume à sua maneira a história da pintura…, Flávia também explora esse processo de sobreposição de imagens, porém mais cruzando linhas do tempo do que promovendo aproximações geográficas. Dividida em três séries – Objetos, Paródias e Catálogos; a exposição reúne 17 telas onde a artista se propõe a discutir os meandros do sistema das artes.

Na Paródias, obras famosas ou da própria artista aparecem expostos numa parede, em forma de objetos utilitários como biombos ou projetados durante uma palestra. No Catálogos, a artista revisita as diversas fases de sua carreira, imaginando-as em brochuras de luxo, sempre com a reprodução de uma obra sua na capa, incluindo uma imagem da série Objetos, com pinturas de utensílios como telescópio e avião. “Queria buscar objetos produzidos em série. Lançava um termo como dialética na internet e escolhia o objeto. Foi uma forma de testar a flexibilidade entre a palavra e a imagem”, explica Flávia.

A Fundaj de Casa Forte fica na Av. 17 de Agosto, 2187. Após a abertura, as visitas podem ser feitas de terça-feira a sexta-feira, das 9h às 12h e das 14h às 17h. Aos sábados, domingos e feriados, o horário de visitação é das 13h às 17h.

29
Ago
09

O lado cultural da crise

Thiago Corrêa
thiagocorrea.pe@diariosassociados.com.br
O termo crise virou sinônimo de oportunidade no ciclo de seminários Crise na cultura e cultura na crise, na última quinta-feira na Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj-Derby). Com a sala Aloísio Magalhães preenchida por gestores culturais, artistas e interessados no assunto; a mesa inicial do ciclo tratou de explicar como se deu a crise e analisar os paradigmas do financiamento da arte através das leis de incentivo e a lógica do mercado capitalista.
Primeiro veio o economista Stefano Florissi traduzindo os significados da crise através das experiências de quebra de 1907 e 1930. Para ele, esses momentos fazem parte de ciclos da economia e devem ser vistos como um estímulo às transformações e ao aperfeiçoamento do sistema financeiro. “A economia está usando os remédios que aprendeu nas suas experiências dos últimos 80 anos”, explicou Florissi.
Mas, apesar do tom otimista, o economista frisou que a solução veio por meio de grandes investimentos públicos e isso deve vai trazer consequências no futuro. “Conseguimos nos recuperar com a injeção de dinheiro dos governos para garantir o fluxo de dinheiro. Mas os países estão endividados, os próximos dois anos não vai ter dinheiro”, ponderou Florissi.
Essa previsão nebulosa ficou ainda mais carregada com a palestra da advogada Cristiane Olivieri, que atua na consultoria de projeto culturais. Embora a economia tenha conseguido se reerguer com a liberação de recursos do poder público, Cristiane lembrou que o raio de ação do Governo esqueceu a cultura. “Não se viu nenhum ação efetiva no setor da cultura. Pelo contrário, mudaram a tributação das empresas culturais, vamos pagar mais imposto no ano da crise”, avaliou a advogada.
Nesse contexto de instabilidade, ela defendeu que se aproveite a seca de dinheiro para analisar os problemas do setor para encontrar oportunidades. Um desses caminhos seria investir na exportação da chamada indústria criativa, que agrega capital intelectual. “O Brasil não está nem entre os 10 exportadores de música do mundo, temos um espaço enorme para avançar. Precisamos olhar além dos governos”, observou Cristiane.
No meio dessas discussões, a voz do editor do blog Cultura e Mercado, Leonardo Brant apareceu para levantar questões éticas do capitalismo e a situação do artista nesse contexto de concorrências em busca de financiamento. “A gente privatizou nosso espaço simbólico, ao mesmo tempo em que temos artistas aprendendo a dialogar com essas tensões”, analisou Brant.
O clima, porém, só começou a esquentar na segunda mesa. Com a chegada de José Luís Herência, secretário de políticas culturais do Ministério da Cultura; a discussão se voltou para as discussões de remodelação da Lei Rouanet. “Existem muitas distorções. Por ano, só R$ 0,71 por habitante chega a Pernambuco de renúncia fiscal”, apontou Herência. Segundo ele, além de tentar distribuir melhor esses recursos, a nova lei vai impedir que os equipamentos públicos usem a renúncia fiscal.

O lado cultural da crise
Thiago Corrêa

O termo crise virou sinônimo de oportunidade no ciclo de seminários Crise na cultura e cultura na crise, na última quinta-feira na Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj-Derby). Com a sala Aloísio Magalhães preenchida por gestores culturais, artistas e interessados no assunto; a mesa inicial do ciclo tratou de explicar como se deu a crise e analisar os paradigmas do financiamento da arte através das leis de incentivo e a lógica do mercado capitalista.

Primeiro veio o economista Stefano Florissi traduzindo os significados da crise através das experiências de quebra de 1907 e 1930. Para ele, esses momentos fazem parte de ciclos da economia e devem ser vistos como um estímulo às transformações e ao aperfeiçoamento do sistema financeiro. “A economia está usando os remédios que aprendeu nas suas experiências dos últimos 80 anos”, explicou Florissi.

Mas, apesar do tom otimista, o economista frisou que a solução veio por meio de grandes investimentos públicos e isso deve vai trazer consequências no futuro. “Conseguimos nos recuperar com a injeção de dinheiro dos governos para garantir o fluxo de dinheiro. Mas os países estão endividados, os próximos dois anos não vai ter dinheiro”, ponderou Florissi.

Essa previsão nebulosa ficou ainda mais carregada com a palestra da advogada Cristiane Olivieri, que atua na consultoria de projeto culturais. Embora a economia tenha conseguido se reerguer com a liberação de recursos do poder público, Cristiane lembrou que o raio de ação do Governo esqueceu a cultura. “Não se viu nenhum ação efetiva no setor da cultura. Pelo contrário, mudaram a tributação das empresas culturais, vamos pagar mais imposto no ano da crise”, avaliou a advogada.

Nesse contexto de instabilidade, ela defendeu que se aproveite a seca de dinheiro para analisar os problemas do setor para encontrar oportunidades. Um desses caminhos seria investir na exportação da chamada indústria criativa, que agrega capital intelectual. “O Brasil não está nem entre os 10 exportadores de música do mundo, temos um espaço enorme para avançar. Precisamos olhar além dos governos”, observou Cristiane.

No meio dessas discussões, a voz do editor do blog Cultura e Mercado, Leonardo Brant apareceu para levantar questões éticas do capitalismo e a situação do artista nesse contexto de concorrências em busca de financiamento. “A gente privatizou nosso espaço simbólico, ao mesmo tempo em que temos artistas aprendendo a dialogar com essas tensões”, analisou Brant.

O clima, porém, só começou a esquentar na segunda mesa. Com a chegada de José Luís Herência, secretário de políticas culturais do Ministério da Cultura; a discussão se voltou para as discussões de remodelação da Lei Rouanet. “Existem muitas distorções. Por ano, só R$ 0,71 por habitante chega a Pernambuco de renúncia fiscal”, apontou Herência. Segundo ele, além de tentar distribuir melhor esses recursos, a nova lei vai impedir que os equipamentos públicos usem a renúncia fiscal.

29
Ago
09

Intimidade na sala de cinema

Selecionado para o último Festival de Cinema de Gramado, o curta-metragem Não me deixe em casa será exibido pela primeira vez no Recife. O filme do cineasta Daniel Aragão tem estreia segunda-feira, às 20h, no Cinema da Fundação. Ao fim da sessão, o público terá a oportunidade de debatê-la com o diretor e a equipe do curta, incluindo o elenco. O filme é estrelado por Marina Didier e Johnny Hooker, vocalista da banda Candeias Rock City.
O curta conta a história de um casal de adolescentes que têm algumas cenas íntimas circulando na internet. Simpático a narrativas abertas, subjetivas e nem sempre explicáveis; Aragão opta por contar sua história através de detalhes. Apesar de ser preto-e-branco, o filme investe na exuberância visual através da cuidadosa fotografia que explora ângulos diferenciados e brinca com a textura das imagens. O foco, ou a falta dele, ganha um sentido narrativo na história, como se a intenção fosse retratar a imagem confusa que os adolescentes tem de si mesmos, nesse período de transformações do corpo e de amadurecimento.
Da mesma forma acontece com a edição, repleta de cortes ligeiros e secos, na busca para exibir uma diversidade de perspectivas. A rapidez pode ser vista como a influência do ritmo frenético de sucessões universos em janelas de computador, tão presente ao cotidiano virtual dos adolescentes da classe média.
O filme é a segunda parte de uma trilogia temática pensada por Aragão e iniciada com o curta Uma vida e outra, premiado no Festival de Brasília e selecionado para o festival de cinema Clermont-Ferrand, na França. O projeto, que ainda pode render um quarto filme, procura investigar o universo adolescente a partir de escolhas das personagens em situações de limite. A filmagem da terceira parte deve começar a ser rodada no mês de outubro e vem sendo usada pelo cineasta como teste para seu primeiro longa-metragem – Boa noite, meu amor. O filme encontra-se em fase de captação de recursos. (Thiago Corrêa)

Intimidade na sala de cinema
Thiago Corrêa

Selecionado para o último Festival de Cinema de Gramado, o curta-metragem Não me deixe em casa será exibido pela primeira vez no Recife. O filme do cineasta Daniel Aragão tem estreia segunda-feira, às 20h, no Cinema da Fundação. Ao fim da sessão, o público terá a oportunidade de debatê-la com o diretor e a equipe do curta, incluindo o elenco. O filme é estrelado por Marina Didier e Johnny Hooker, vocalista da banda Candeias Rock City.

O curta conta a história de um casal de adolescentes que têm algumas cenas íntimas circulando na internet. Simpático a narrativas abertas, subjetivas e nem sempre explicáveis; Aragão opta por contar sua história através de detalhes. Apesar de ser preto-e-branco, o filme investe na exuberância visual através da cuidadosa fotografia que explora ângulos diferenciados e brinca com a textura das imagens. O foco, ou a falta dele, ganha um sentido narrativo na história, como se a intenção fosse retratar a imagem confusa que os adolescentes tem de si mesmos, nesse período de transformações do corpo e de amadurecimento.

Da mesma forma acontece com a edição, repleta de cortes ligeiros e secos, na busca para exibir uma diversidade de perspectivas. A rapidez pode ser vista como a influência do ritmo frenético de sucessões universos em janelas de computador, tão presente ao cotidiano virtual dos adolescentes da classe média.

O filme é a segunda parte de uma trilogia temática pensada por Aragão e iniciada com o curta Uma vida e outra, premiado no Festival de Brasília e selecionado para o festival de cinema Clermont-Ferrand, na França. O projeto, que ainda pode render um quarto episódio, procura investigar o universo adolescente a partir de escolhas das personagens em situações de limite. A filmagem da terceira parte deve começar a ser rodada no mês de outubro e vem sendo usada pelo cineasta como teste para seu primeiro longa-metragem – Boa noite, meu amor. O filme encontra-se em fase de captação de recursos.




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